Aldeias indígenas
Santa Cruz foi presenteada no seu entorno, além dos pés de aroeira que nascem por todos os lados, com a presença de povos indígenas, que com sua presença, garantem a proteção de uma extensa área de preservação ambiental ao longo do Rio Piraqueaçu. Nela encontramos, e em distritos vizinhos, 7 aldeias indígenas Guarani e Tupinikim, sendo:
1 - Boa Esperança (Tekoa porã) - Aldeia Guarani
LOCALIZAÇÃO: Se localiza em Santa Cruz, com terceira entrada à esquerda após a ponte sobre o Rio Piraqueaçu e após a entrada da aldeia Três Palmeiras.
2- Caieiras Velha (Kaimoã) - Aldeia Tupiniquim
LOCALIZAÇÃO: A aldeira Caieiras Velha fica na estrada Primo Bitti, entre Coqueiral e Aracruz
3- Comboios (assim denominada porque os primeiros colonizadores subiam o Rio Piraqueaçu com canoas em comboios) - Aldeia Tupiniquim
4- Irajá (
5- Pau-Brasil (Ibirapitanga)- Aldeia Tupiniquim
6- Piraqueaçu ( Rio de Peixe Grande) - Aldeia Guarani
LOCALIZAÇÃO : Aldeia Piraqueaçu se localiza em Santa Cruz, com primeira entrada à esquerda logo após a ponte sobre o Rio Piraqueaçu
7- Três Palmeiras ( Boapy Pindo) Aldeia Guarani
LOCALIZAÇÃO: Aldeia de Três Palmeiras se localiza em Santa Cruz, com segunda entrada à esquerda logo após a ponte sobre o Rio Piraqueaçu e a entrada da aldeia Piraqueaçu.
O Povo Guarani no espirito santo
Até meados de 1700, os índios Guaranis que habitavam o sul do Brasil
e também o Paraguai possuíam uma grande riqueza: a terra. Nela,
cultivavam erva-mate, além de alguns outros alimentos.
Essa situação mudou com a chegada dos exploradores da erva-mate que
crescia nas matas. Sentindo-se ameaçados, os Guaranis voltaram a se
deslocar em direção ao litoral Atlântico liderados por religiosos
que, baseados em revelações, previam o fim do mundo e tentavam
salvar seu povo conduzindo-os à procura da Terra Sem Males.
A necessidade de migração constante para se alcançar um paraíso revela um contraste com uma vida terrena repleta de privações e sofrimentos. Os Guarani, em geral, são magros, alimentam-se pouco, através de uma dieta especial com o objetivo de alcançarem a Terra sem Mal.
Durante séculos, este povo foi subindo no sentido sul-norte,
procurando o paraíso, uma terra mística, sem injustiças e onde
pudesse viver em paz. Quando chegaram a São Paulo, a marcha foi
interrompida pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), que conduziu
os Guaranis para Itariri por onde ficaram por cerca de 10 anos.
Inconformado com a violenta interrupção de sua marcha religiosa,
Miguel Venites (cacique e líder religioso) resolveu retornar ao
litoral, mas algumas pessoas do grupo resolveram ficar e o clã, que
era composto por 48 índios, passou a ter 20.
Idoso e doente. Venite não resistiu ao reinício da jornada e morreu
quando o grupo se aproximava do litoral, em Silveira, São Paulo.
Pressentindo seu próprio fim, ainda teve tempo de pedir a sua esposa
Tatãti Ywa Reté que buscasse a terra revelada. Assim, os Guaranis
foram para Paraty, Rio de Janeiro, e lá permaneceram por seis anos.
Mesmo tendo casado novamente, Tatãti resolveu prosseguir a caminhada
sem o novo marido, que não queria abandonar o local onde morava.
Por volta de 1970, os Guaranis chegaram até a aldeia Tupinikim de
Caieiras Velha, em Aracruz, litoral norte do Espírito Santo, mas
continuaram sua marcha pelo litoral capixaba, só retornando em 1976.
Em Santa Cruz existem três aldeias Guarani Mbya, a saber: Tekoa Porã (Boa Esperança), Três Palmeiras e Piraquê-Açu. A aldeia de Três Palmeiras surgiu a partir da divisão de Boa Esperança. No entanto, a literatura por nós investigada, não aparece uma análise mais aprofundada sobre a divisão das aldeias e o aparecimento de Piraquê-Açu. Somente são citadas as divergências familiares como causa da divisão. Este aspecto constitui-se como importante questão de estudo e é explicado pelos antropólogos ligados ao tema, como fator de controle da sociedade para evitar a formação de um poder estratificado.
Cultura
O Guarani sempre foi um ser introspectivo pela sua ascendência ligada à lua. Os ancestrais dos Guarani habitam um mundo espiritual dividido em quatro moradas: Ambá Namandu, morada dos espíritos; Ambá Jakairá, morada dos espíritos brumas; Ambá Karai, morada dos espíritos fogos; e Ambá Tupã, morada dos espíritos trovões. Abaixo dessas moradas fica o Yuy Mara Ey - a Terra Sem Males, em busca da qual Tatantin chegou a território capixaba para assentar o seu grupo.
Uma das principais confidentes de Tatantin Wua Retée, a ambientalista Ninom Rouze, e que esteve ao lado dela nos seus dois últimos anos de vida (ela morreu aos 114 anos na aldeia Teká Porã), disse que ela viveu um final angustiante ao reconhecer que o local onde eles estavam aldeados não representava a Terra Sem Males, como inicialmente imaginou quando chegou à região ainda nos anos 70 do século passado. Pois o tempo mostraria, principalmente depois da chegada dos brancos, que os Guarani não tinham mais condições de viver ali em liberdade.
Destruição
Como explicou Ninom, o guerreiro Guarani não foi preparado para terçar armas contra ninguém. Ele vence com a força espiritual. Ele é guerreiro da luz e sua ferramenta de luta é a passividade. Ele não tem, por exemplo, a face guerreira dos seus irmãos Tupinikim, que passaram séculos em guerra com os Tupinambás. Para ela, a visão inicial da Terra Sem Males na região de Santa Cruz, foi dissipada com o impacto da instalação da Aracruz Celulose.
Junto com a Aracruz veio o processo degenerativo do Guarani. Sobretudo através da degradação ambiental trazida pela empresa. Substituíram as matas pelos eucaliptais, e, como consequência secaram os córregos. A chegada da empresa trouxe também doenças respiratórias para as crianças. Ao final da vida, Tatantin reconheceu que havia fracassado na sua missão de encontrar a Terra Sem Males, tanto que deixou com Tupã Kuaray a incumbência de subir a montanha do Caparaó para buscar, com o Deus da Montanha, a indicação correta da Terra Sem Males. O fracasso da missão de Tatantin impediu que ela desfrutasse do prêmio do encantamento, que é concedido aos Xamãs quando levam a bom termo a missão a eles confiava por Nhanderu. Tatantin não encantou. Tanto que foi sepultada no cemitério comum de Santa Cruz, destinado aos brancos.
Os atuais caciques andam entre vinte e alguns anos e trinta e poucos anos. Na flor da idade e responsáveis por uma unidade, entre as sete aldeias, que resultou na retomada do mais extenso pedaço do seu território reconquistado até agora, cerca de 11 mil hectares: Jaguareté, cacique Tupinikim de Caieras Velhas, e o irmão Vilmar Leopoldino (presidente da Associação Indígena Tupinkin-Guarani) são bisnetos do capitão Leopoldino. Nilson Joaquim, cacique da Aldeia de Irajá, é filho do cacique Benedito Tupinikim.
Uma revelação
Já dos três caciques da linhagem Tatantin-Wua Retée, dois são bisnetos e um é neto. O neto é Werá Kwaray, da Aldeia Boa Esperança, e os bisnetos são Werá Decupê, da Aldeia Três Palmeiras, e Kwaray Peru, da Aldeia Piraqueaçu.
Fonte das informações acima: http://www.seculodiario.com.br/novo
e texto o " O mito como fonte e modo de ser dos Guarani Mbya" de
Kalna Mareto Teao - Artigo originalmente apresentado no Pré-Congresso FIELC/SOLAR/UERJ/UFES, Vitória, 2005.
Para Saber Mais:
Conheça a luta dos índos por suas terras http://www.seculodiario.com.br/novo/selos/indios/index.html
Conheça a Brigada Indígena
É um grupo de apoio às comunidades indígenas Tupiniquim e Guarani residentes no município de Aracruz, no Espírito Santo. Com seu perfil eclético, abriga universitários e ativistas de diversas posições políticas num constante exercício de convivência de indivíduos diferentes mantendo, entretanto, seu caráter horizontal e autônomo.