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Com 456 anos, Santa Cruz é uma pequena localidade do município de Aracruz, estado do Espírito Santo. Situada às margens do Rio Piraqueaçu, é motivo de muito orgulho para seus habitantes, principalmente daqueles que herdaram de seus antecessores histórias de muitas gerações, que até hoje podemos sentir, olhando seus casarões antigos, o velho cais do porto, a Fonte do Caju, a beira do Rio, o movimento dos pescadores, o extenso manguezal, seu cheiro de mar...

Denominada Aldeia Nova, Santa Cruz foi fundada em 1556 pelo padre Brás Lourenço auxiliado pelo também padre Diogo Jácome. Tudo começou com a chegada dos homens brancos naquelas terras habitadas somente pelos índios tupiniquins, chefiados pelo cacique Maracaiá-Guaçu, ou Grande Gato. Eles chegaram em virtude do processo de catequização, fundando um núcleo de catequese que atraiu várias tribos de índios da região. Mais tarde, com a criação da Aldeia dos Reis Magos ( atual Nova Almeida) o núcleo passou a denominar-se Aldeia Velha.


Segundo Levy Rocha em seu livro " De Vasco Coutinho aos Contemporâneos" ,a aldeia teria sido apelidada pelos seus habitantes tupiniquins de Huuassu, ou Rio Caudaloso, e, segundo o autor , ao que parece, a Adeia Nova foi o primeiro ponto da costa brasileira onde, a 26 de fevereiro de 1557, aportou o barco que trouxe o francês Jean de Lèry para servir a Villegaignon. O cacique Maracaiá-Guaçu chegou a se incorporar à expedição de Mem de Sá para expulsão dos franceses da Guanabara.

Em 16 de dezembro de 1837 a Aldeia Velha tornou-se distrito. Uma lei provincial elevou o povoado a Freguesia, passando ela a fazer parte do termo de Nova Almeida. Em 1848, por Lei Provincial no. 2, a Freguesia foi elevada a Vila. O município foi criado em 3 de abril de 1848 com o nome de Santa Cruz.



Em 1860, Santa Cruz recebeu a visita de D. Pedro II, que pernoitou em Santa Cruz e até inaugurou o chafariz público . Para abrigar o imperador, foi construído o prédio onde depois funcionou a antiga Câmara Municipal , hoje um dos dois únicos patrimônios do Município de Aracruz tombado pelo Conselho Estadual de Cultura.


O CASARÃO PEDE SOCORRO...URGENTE....

Ao longo dos anos, o prédio passou por várias utilizações: fórum, Prefeitura, serviços de estatística, cadeia, postos de correio e telefônico. Atualmente o imóvel está desocupado praticamente em ruínas (ver foto acima), abandonado pelas autoridades que não priorizam a conservação da história do lugar e sonham para que o prédio desabe logo...... A comunidade tentou se organizar para funcionar no local uma bibioteca pública, onde futuramente nossas crianças, adolescentes e adultos poderiam encontrar lazer e o registro de nossas histórias. Mas a batalha esperando pela boa vontade do poder público e a gula dos cupins, pelo jeito, está quase perdida.

Sobre a visita de D.Pedro II, contam as pessoas do lugar ( muitos chegaram a ver, lá pelos idos de 1964) , que ele deixou de presente para Santa Cruz uma medalha com uma dedicatória sua e da Imperatriz D. Teresa Cristina, que ficou muitos anos sob a guarda das carolas da Igreja local. Anos depois, com receio de sua segurança, a medalha foi colocada sob a custódia do Bispo Dom João Batista da Motta e Albuquerque. Nunca mais soubemos de seu paradeiro.....Esperamos um dia te-la de volta. Também ficou como lembrança de sua visita um jogo de "pesos de quarta", que se encontra atualmente na Prefeitura de Aracruz.



Em 1891, o município de Santa Cruz perdeu o território de Conde D'Eu ( Atual Ibiraçu). No atual século, em 1943 uma resolução da Comarca Municipal transfere a sede para o povoado de Sauassu. A nova sede e o município recebem o nome de Aracruz. Assim, Santa Cruz perde o poder de sede de município, transferindo para Aracruz (sede) a atratividade do comércio, indústrias e serviços da região. Com isto, Santa Cruz mantém suas características de pequeno povoado, com a pracinha (foto acima) e a Igreja Matriz no centro (ver foto abaixo), para encanto de seus admiradores.



 
O outro patrimônio também tombado no município de Aracruz é a igreja católica de Santa Cruz, Igreja de Nossa Senhora da Penha. 

Conforme o historiador Placidino Passos, e o Catálogo de Bens Culturais Tombados no Espírito Santo, por volta do ano 1820, a pequena aldeia possuía menos de uma dezena de cabanas cobertas de sapé, não passando de um aldeiamento de índios, os quais se ocupavam do embarque de cal de conchas, madeiras e de algumas roças de mandioca ou milho. Em 1837, devia existir no local alguma capela de taipá.



No ano seguinte, o presidente da província capixaba autorizava, por lei, a contratar a conclusão da Igreja, o que consta, segundo os historiadores, não ter sido levada a sério.

Em 1841, num mutirão de devotos, a matriz foi iniciada. Seus esteios e paredes eram de madeiramento fraco e ruim e a obra ficou de ser concluída. Em 1844 faltava forrar a capela-mór, fazer o retábulo e o altar e assoalhar o côro, bem como estava a fazer o companário, sendo os sinos pendentes do coro.

Em 1855 parecia estar terminada, não necessitando de reparo algum, conforme considerações de seu vigário Santos Ribeiro. Mas aquele templo precisava de cuidados constantes.



Em 1857, o novo vigário da Vila de Santa Cruz oficiava ao Barão de Itapemirim que o frontispício da Igreja Matriz reclamava de reparo, sob ameaça de ruir. Em 9 de maio do mesmo ano, começou a ser construída a fachada definitiva, de alvenaria, no estilo gótico-romano.

De longe, a impressão era de que a construção estava acabada. Foi visitada por D. Pedro II em 1860. A Igreja guarda em seu interior uma imagem de Jesus Cristo em tamanho natural, tombada pelo Conselho Estadual de Cultura em 1986. 


A planta do templo é retangular, com nave e capela-mór num só corpo e sacristia em outro. Foi restaurada no século passado, no início da década de 70 e também mais recentemente, nos anos 90. 


Fonte de água potável a 300 m da praia. Segundo as tradições e lendas relacionadas à história desta fonte, suas águas prometem conceder a juventude eterna. Nós, seus admiradores, concordamos!

Em também quem toma água do Caju, voltará sempre a Santa Cruz!


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